Choose your language  •  BA  EN  DE  FR  PT

“A high-minded collection (…)”

 

THE GUARDIAN

 

“(…) surprisingly strong portmanteau (…)”

 

MUBI Notebook

 

Sarajevo, 1914-2014, um fascinante conjunto de curtas-metragens unidas num só filme. Quem seriam os realizadores europeus mais apropriados para assumir esta tarefa? Como escolhê-los? Definimos critérios necessários, e fomos abençoados com encontros frutíferos. A nossa lista de nomes está repleta de artistas europeus exemplares – homens e mulheres de diferentes origens, diferentes gerações, cada um com o seu estilo particular e o próprio ponto de vista sobre esta cidade fascinante e a sua história. Juntando cineastas oriundos da “Europa de Leste” e “Europa Ocidental”, termos que hoje em dia se tornaram completamente irrelevantes, pintámos um comovente quadro de Sarajevo.

 

Entre os realizadores, encontramos a nativa Aida Begić, que lá viveu toda a sua vida; Ursula Meier, uma cineasta alemã que foi a Sarajevo pela primeira vez para realizar a sua curta; Vincenzo Marra, outro artista estranho à cidade, que preferiu manter distância; ou o seu conterrâneo Leonardo Di Costanzo, segundo realizador italiano a fazer parte desta antologia internacional.

 

Cristi Puiu já conhecia bem a cidade, tendo lá ficado tempo suficiente para desejar construir algo noutro lugar, na Roménia, o seu país de origem. Mas o irónico conto de fadas que foca tragédias atrozes, retrata uma cidade dominada por monstros, desde a Ponte Romana ao Beco do Atirador.

 

Jean-Luc Godard, que traz Sarajevo no seu coração desde que o conflicto começou, foi um dos primeiros artistas (junto com Chris Marker), a compreender a dimensão da tragédia que estava a acontecer, uma empatia que se mantém até hoje. Em 1993, começou a trabalhar em JE VOUS SALUE SARAJEVO, que se encontra figurada em PONTES DE SARAJEVO, JLG/JLG, For Ever Mozart (entregou a primeira cópia ao Serge Toubiana e a mim no primeiro avião civil a aterrar em Sarajevo depois da guerra terminar) e, claro, no seu filme OUR MUSIC, que é a prova mais explícita da sua devoção a Sarajevo.

 

De outra perspectiva, Angela Schanelec e Vladimir Perišić tentam medir a distância que separa o acto homicida que despoletou a Primeira Guerra Mundial, a tragédia fundadora da nossa era moderna, do mundo presente onde o terrorismo ainda impera.

 

Isild Le Besco não tinha sequer 10 anos quando os primeiros disparos caíram sobre Sarajevo, mas a realizadora consegue habitar uma memória viva, onde a sua inteligência sensível expressa a actualidade marcada por ecos assombrados do passado. Foi para Sarajevo para uma rodagem de duas semanas, e acabou por lá ficar durante meses.

 

Cada uma das nossas curtas-metragens, cada história, tem uma construção cuidada e singular. A nossa única directriz básica como produtores foi não generalizar, não unificar, não homogeneizar. Cada cineasta que contribuiu para PONTES DE SARAJEVO é admirado pelo seu trabalho já existente, e cada curta apresenta uma perspectiva artística individual.

 

Mas claro que o projecto era o de fazer uma longa-metragem e confiámos que um horizonte comum iria emergir, unindo todos os filmes de uma forma orgânica que não poderia ser prevista ou predeterminada. Sabíamos que os filmes iriam comunicar uns com os outros, reagir uns aos outros e entrar em contraste uns com os outros. Entre as curtas encontramos desenhos de François Schuitten, animados por Luís da Matta Almeida, que sugerem o que poderia ser uma outra narrativa, um leve sopro com vida própria.

 

A intenção de cada realizador tem o seu próprio pulso rítmico, mas uma linha de base subjacente une as diferentes vozes num único movimento harmónico. Tal como frases, os pontos de vista repetem-se, com variações, ao longo do filme, emulando a ética da Nouvelle Vague. A essência da ideia está mesmo aí. Sarajevo é uma cidade terrivelmente real, uma ideia, uma esperança e uma tragédia. Só cineastas genuínos, cada um com o seu próprio impulso e sensibilidade, poderiam desempenhar a tarefa de representar fielmente todas estas dimensões no grande ecrã.

 

Jean-Michel Frodon

 

PONTES DE SARAJEVO

 

REALIZADORES

Aida Begić (Bósnia e Herzegovina)      Leonardo Di Costanzo (Itália)      Jean-Luc Godard (Suiça)

Kamen Kalev (Bulgária)      Isild Le Besco (França)      Sergei Loznitsa (Ucrânia)

Vincenzo Marra (Itália)      Ursula Meier (Suiça)      Vladimir Perišić (Sérvia)

Cristi Puiu (Roménia)      Angela Schanelec (Alemanha)      Marc Recha (Espanha)

Teresa Villaverde (Portugal)

 

DIRECTOR ARTÍSTICO Jean-Michel Frodon

 

SEQUÊNCIAS ANIMADAS François Schuiten and Luís da Matta Almeida

 

PRODUÇÃO Cinétévé - Obala Art Centar     CO-PRODUÇÃO  Bande à part films, Mir Cinematografica,

Ukbar Filmes, Unafilm    E    France 2 Cinéma, Orange Studio, RAI Cinema, RTS Swiss Radio Television

Centenary’s Mission of the First World War

 

PAÍSES França, Bósnia e Herzegovina, Suiça, Itália, Portugal e Alemanha

 

114’ - 2014

CO-PRODUÇÃO

PARTICIPAÇÃO

PRODUÇÃO

COM APOIO DE